Ryan Francisco é mais uma joia da base tricolor que subiu para os profissionais após o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2025. Camisa 9 nato, faro de gol apurado e boa finalização — características que fizeram a torcida depositar grandes esperanças no garoto. Porém, passados alguns meses do ano, os minutos em campo seguem escassos. E o torcedor quer saber: por quê?
O jogo profissional é outra história
A primeira resposta é simples: Ryan é jovem demais para o futebol adulto.
Diferente de Ferreira, seu colega de base e também campeão da Copinha, Ryan ainda não tem o físico necessário para encarar os zagueiros mais cascudos da América do Sul. E isso pesa — literalmente.
Nos dois jogos em que atuou no Brasileirão 2025, e na Copa Libertadores, o atacante teve pouquíssimo impacto. Mal tocou na bola e não venceu uma disputa individual sequer, mesmo jogando contra defesas como Bahia e Talleres, que não estão entre as mais fortes dos campeonatos.
Arboleda e Alan Franco: a prova de fogo diária
Vale lembrar que Ryan treina com os reservas, enfrentando Arboleda e Alan Franco quase todos os dias. Agora, imagine o nível de dificuldade. Qual o aproveitamento dele contra esses dois? Ganha alguma jogada? Provavelmente, muito pouco.
E se a gente ampliar o olhar: no jogo entre Brasil x Paraguai ontem, Gustavo Gómez, zagueiro do Palmeiras, deu uma verdadeira aula. Ganhou tudo — na força, na técnica, no tempo de bola. Acha mesmo que Ryan teria alguma chance contra ele hoje?
O esquema de Zubeldía também não ajuda
Outro fator que atrapalha Ryan é a forma como o São Paulo joga. O técnico Luis Zubeldía adota o 4-2-3-1, com dois volantes de mobilidade, pontas abertos e um meia central. Esse esquema exige um centroavante solitário, forte fisicamente e capaz de brigar o jogo todo contra dois zagueiros. Não é o cenário ideal para o jovem Ryan.
Talvez ele tivesse mais espaço em um 4-4-2, jogando como segundo atacante. Algo parecido com o que o Corinthians faz com Yuri Alberto e Memphis Depay. Aliás, com a chegada do holandês, Yuri deixou de ser um 9 fixo e seus números melhoraram muito.
Mas sejamos sinceros: você mudaria todo o esquema tático por causa de um garoto de 17 anos? Eu, não.
“Ah, mas o Estêvão joga com essa idade…”
Joga. Mas como ponteiro. Lá na ponta, ele não precisa disputar com zagueiro de costas, nem tomar pancada o tempo todo. Usa sua agilidade, velocidade e drible, em um setor com menos contato físico. É outro jogo.
Por isso, inclusive, acredito que Lucca tem mais chances de ser titular antes de Ryan. Leve, habilidoso, atua em área com menos contato físico — e sua agilidade costuma levar vantagem.
Centroavante jovem raramente brilha cedo
Agora pense comigo: qual foi o último camisa 9 que fez diferença antes dos 18 anos? Haaland, talvez? E só. Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo, Lamine Yamal… nenhum deles era 9. Todos brilharam mais abertos ou como meias.
Então o Ryan é ruim?
De jeito nenhum. É uma joia e precisa ser lapidada com paciência. Precisa ganhar corpo, maturidade e disputar espaço aos poucos, especialmente em momentos de jogo com defesas cansadas. É assim que ele vai crescer — e vai dar retorno.
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